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A imunidade das crianças: o que acontece se elas pegam o vírus da covid-19?




Desde o início da pandemia, a criançada põe os cientistas para brincar de quebra-cabeças. Mas a impressão é que as primeiras peças começam a se encaixar só agora. Os números, um tanto desproporcionais, logo de cara apontaram para um enorme enigma. Nos Estados Unidos, por exemplo, as crianças são 22% da população. No entanto, se a gente olha para todo mundo que pegou a covid-19 por lá, apenas 1,7% é caso de pediatria. Ou seja, minoria absoluta.

Por aqui, a situação é parecida. A população infantil gira em torno de 25% dos brasileiros, mas representa somente 1,9% dos diagnósticos de infecção pelo novo coronavírus no país e 0,5% das mortes causadas pela doença. Estudos afirmam ainda que mais ou menos 6% dos pequenos infectados pelo Sars-CoV 2 desenvolvem quadros severos, enquanto os adultos nunca tiveram essa mesma sorte: entre eles, 26% acabam com formas mais graves da doença. Daí que sobram pontos de interrogação. Por que, nas crianças, a infecção parece tão mais amena? Será que, nelas, a quantidade de vírus, ou carga viral, seria bem menor para justificar tanta diferença em relação à turma dos adultos? Ou será que guardam em seu organismo algum segredo capaz de levar a uma doença mais leve?


E, se guardam, será que ele teria a ver com suas células de defesa? A maior pergunta de todas, porém, talvez seja esta: será que, se esse segredo for decifrado, ele contribuirá para o surgimento de novos tratamentos ou até mesmo de vacinas?


A imunologista Cristina Bonorino, professora da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre) foi quem levantou todas essas indagações em sua apresentação, ontem, no primeiro dia do workshop "Pandemia de covid-19: o que os cientistas brasileiros estão fazendo", promovido pela Sociedade Brasileira de Imunologia. Por falar no que está fazendo, ela e seus colegas da UFCSPA, ao lado de médicos do Hospital Moinhos de Vento, também da capital gaúcha, estão correndo justamente atrás dessas respostas


Estudar o que acontece com a garotada infectada não tem sido moleza. "Os pais muitas vezes não autorizam", conta a professora. "Diga-se que, quando os adultos da casa pegam covid-19, eles em geral nem sequer testam as crianças para saber se elas também têm o vírus.".